#01 O dia que eu decidi parar de ser trouxa

Agora são 5h30 da manhã do dia 16 de março de 2021. Ontem fez um mês que a pandemia estourou no Brasil e a nossa vida foi transformada para sempre.

Estou aqui, tomando um chá de maçã com canela e refletindo sobre a minha história. Ontem, antes de dormir, minha mente estava insana e eu compartilhei meus pensamentos com Jesus.

Meu Crush Eterno fez um convite especial: contar parte da minha vida para vocês. Não está sendo fácil escrever esse texto, mas escolhi obedecer. Espero que você consiga visualizar meu processo de metanóia e experimente um pouquinho das good vibes que transbordam do meu amado.

Booooora? :]

Meu sonho é desbravar o mundo: conhecer estados, nações, continentes… Em janeiro de 2020 eu conversei com o pessu da AIESEC e decidi ser trainee internacional. Participei de alguns processos seletivos e fui selecionada pela Tata Consultancy, uma multinacional indiana do ramo tecnológico.

No dia que eu deveria receber o contrato, recebi um email explicando que a Índia fechou as fronteiras por conta do Coronavírus. Era 16 de março de 2020.

Minha primeira reação foi a negação:

  • Está tudo bem, isso é temporário. Logo logo tudo voltará ao normal e poderei viajar.

No entanto, o tempo passou e percebi que o #coronga veio para ficar. Comecei a me movimentar: procurar trampo, marcar cafés virtuais com pessoas que eu admirava e me dedicar ao trabalho voluntário.

Num desses cafés, conversei com a Clarissa, Head de Marketing e Parcerias do Youth Climate Leaders. A Cla se encantou pelo meu ativismo e me convidou para atuar como mobilizadora de redes do YCL.

Um mês depois, recebi outra bela notícia: fui escolhida para ser Embaixadora de São Paulo pelo Cidadão Digital. Esse programa é uma iniciativa do Facebook em parceria com a Safernet e visa promover formações em segurança digital para adolescentes da rede pública de ensino.

Me senti o próprio Julius, do Todo Mundo Odeia o Chris! 😂

Eu tinha começado a acompanhar as lives às 4h59 do Pablo Marçal e entendi que poderia ser uma “artista multifacetada”, ou seja, ter múltiplos chapéus e fontes de renda.

“Ao invés de ter um emprego decidi ter vários projetos.”

Foi meeeega desafiador conciliar as demandas, mas rolou! No Cidadão Digital eu era responsável por mapear, entrar em contato, fazer reuniões de alinhamento com diretores e aplicar formações sobre educação midiática para professores e alunos. Já no YCL, estávamos organizando a primeira edição do Dia do Profissional do Clima (DPC), um encontro virtual para impulsionar carreiras de jovens na área climática.

Foi um período doiiido, mas muito prazeroso. Para somar, fui convidada pela United Nations Office of Drugs and Crime (UNODC) para atuar como Jovem Embaixadora da ONU, sendo escolhida como multiplicadora da Agenda de Desenvolvimento Sustentável.

Eu entrei no ciclo da abundância e os projetos não paravam de chegar! Em outubro de 2020 fui convidada pela Consultoria Leader Educa para criar um treinamento corporativo sobre Diversidade, trazendo as seguintes pautas:

  • Conexão e empatia;
  • Inclusão racial;
  • Igualdade de Gênero;
  • Homoafetividade;
  • Pessoas com Deficiência.

Vivi a correria mais maravilhosa do universo!

Estava trabalhando com o que amava, colocava meu coração em cada tarefa e me sentia extremamente realizada pela oportunidade de transbordar conhecimento.

Mas esse texto não é sobre a mulher-maravilha!

Dizer que tudo era perfeito seria uma grande hipocrisia. Muitas vezes me senti esticada, a ponto de quase romper. Tive crises, choros, ansiedades e uma GRANDE privação de sono para conseguir dar conta de tudo (acordava às 4h49 e dormia às 23h45).

O custo foi alto: abri mão de amigos, netflix, descanso… Sei que o contexto pandêmico me possibilitou fazer essas escolhas, mas aprendi que é fundamental ter balanceamento entre trabalho, ativismo, amigos, família e descanso.

Querido leitor, minha vida não foi obra do acaso, ela foi construída!

Desde que me descobri enquanto mulher preta e periférica, intencionei ter uma vida de transbordo! Não quero apenas reclamar da desigualdade ou da subrepresentatividade, mas desejo que a minha existência rompa com os paradigmas de uma sociedade sustentada pelo privilégio branco.

“Mulheres negras ganham 7 vezes menos que homens brancos e 4 vezes menos que mulheres brancas.” (Egnalda Cortes, Podcast Obvious)

Para vencer esse sistema, recorri ao ativismo como elemento chave na construção da minha história. Atuar com movimentos sociais abriu portas para lugares de protagonismo e liderança, onde eu pude compartilhar meu trabalho e ampliar o alcance das minhas causas: crise climática, negritude e sustentabilidade.

Numa palestra organizada pelo Instituto CEO DO FUTURO, dividi um painel com a Angelica Mari, colunista da Revista Forbes e aliada da luta antirracista. Durante o evento, falei sobre meus projetos e fiz provocações sobre raça, gênero e a importância da juventude ocupar espaços junto com os tomadores de decisão.

Após uma semana, Mari pediu para me entrevistar, com o intuito de conhecer minha história e entender a motivação por trás do meu engajamento social, ambiental e político. Um mês após essa entrevista, descobri que fui nomeada e aprovada para ingressar na Lista #Under30 da Forbes.

Foi um dos momentos mais WOWWWW da minha vida!

Mari me parabenizou e disse para eu me preparar, pois um novo mundo iria se abrir. Eu estava radiante, inundada pela serotonina, endorfina, dopamina, ocitocina e não fazia ideia daquilo que estava por vir.

Até que o ano mudou… E a minha vida também! [comente para parte #02]

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Formada em Relações Internacionais, Amanda empreende o PerifaSustentavel, é colunista da Agência Jovem de Notícias, podcaster do Direto da Base e atua como mobilizadora de redes do Youth Climate Leaders. Liderança Forbes Under 30, Amanda tem o objetivo de mobilizar jovens para construírem um planeta inclusivo, colaborativo e sustentável, através das redes Embaixadores da Juventude da ONU, Global Shapers Community e United People Global.

#ForbesUnder 30 | Jovem Embaixadora da ONU | Ecofeminista Antirracista

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