Hoje completo 23 anos, mas sou negra há apenas 7 meses. Antes eu era moreninha, mulata, parda ou cor de bombom. Me descreveram com todos os eufemismos possíveis, mas eu não preciso de eufemismo!

Sou negra e ocupo um espaço de privilégio na sociedade. Aos 23 anos, viajei para 6 países, participei de 2 conferências das Nações Unidas (ONU), sou Global Shapers do Hub SP (Fórum Econômico Mundial), líder em mudanças climáticas pelo Youth Climate Leaders (YCL) e líder em sustentabilidade pelo United People Global (UPG).

É difícil reconhecer que negros não são sempre miseráveis e não estão sempre em posições subalternas?

Eu fui branqueada em casa, na escola, nos clubes e na universidade. Aos olhos de uma sociedade que caracteriza a beleza branca como superior e dominante, ser preta e ter o cabelo crespo não contribuía para a minha inserção nos grupos sociais.

Precisamos contestar o padrão de beleza imposto e problematizá-lo. Os laços de dominação colonial não foram totalmente rompidos, ainda reverbera uma imposição cultural que caracteriza o “não-branco” como inferior.

Mas será que mulheres negras podem ser intelectuais? Escritoras? Ativistas climáticas? Líderes em sustentabilidade? Internacionalistas?

No senso comum, a mulher negra não pode ser referência, protagonista ou especialista em algum tema específico. E se ela ocupa essa inusitada posição, espera-se que ela permaneça em silêncio e não conteste o sistema social vigente.

Mostrar-se diferente é um ato de OUSADIA!

Decidi me rebelar e compartilhar a minha história, seja na minha narrativa, nas minhas roupas/acessórios ou simplesmente como corpo negro pensante, analisando a negritude a partir de uma perspectiva existencialista!

Contar a minha história passou a ser um ato fundamentalmente político, assim como expressar a minha identidade como mulher negra e periférica.

“Na minha busca pela identidade descobri o turbante. Quando coloco o pano na cabeça, me sinto no controle, conectada a uma multidão de mulheres que vieram antes de mim.”

Debater o racismo e a identificação racial no Brasil ainda é difícil e tem o peso do silenciamento. É preciso muita coragem para olhar o passado, buscar respostas e enxergar-se como negro.

Mas não sou corajosa sozinha, a cada letra que escrevo trago uma força coletiva com potencial para gerar mudanças significativas. Da mesma forma que meu corpo guardou a cor da pele, minha ancestralidade afro guardou a negritude como herança genética.

E hoje, aos 23 anos, decidi ser protagonista e contar a MINHA história!

Amanda Costa é estudante de Relações Internacionais, empreende o Climathon Brasil e o PerifaSustentável, coordena o Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) no Engajamundo, é facilitadora da Plant-for-the-Planet, participa das redes Global Shapers Community, United People Global (UPG) e Youth Climate Leaders (YCL).

#ForbesUnder 30 | Jovem Embaixadora da ONU | Ecofeminista Antirracista

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