A subalterna rompe o silêncio

“Há um medo apreensivo de que, se o sujeito colonial falar, o colonizador terá que escutar. Ele seria forçado a um confronto desconfortável com as verdades. (Grada Kilomba, 2012).”

Esse texto é um DESABAFO!

A minha voz, em todas as suas dialéticas, foi silenciada por muito tempo. Pretendo utilizar esse espaço para violar e transcender a autorização discursiva branca, masculina cis e heteronormativa, com o intuito de debater como as identidades que fogem desse padrão estão sendo marginalizadas e oprimidas.

Vou te contar uma história.

Era uma vez, uma menina preta da periferia, que aprendeu a ser muito determinada, esforçada e estudiosa, para que assim pudesse quebrar o ciclo de escassez e trazer melhorias para os seus semelhantes.

“É necessário que homens brancos parem de se pensar universais e se racializem para entender o que significa ser branco como metáfora de poder.”

A jovem sou eu! Entendi que é necessário me expor para acelerar as mudanças.

Bom, o programa de capacitação promove vários encontros, entre eles há um Workshop de Comunicação, com 3 dias de duração. O conteúdo do treinamento foi ótimo, misturou teoria com prática e todos os jovens tiveram a oportunidade de se apresentar e receber feedbacks.

“É necessário ressaltar a importância de mulheres negras se auto definirem. A autodefinição é uma estratégia de enfrentamento a visão colonial.”

Após essa introdução lacradora, compartilhei meu propósito e disse o porquê eu faço o que faço. Foi maravilhoso, a galera ficou impactada e inspirada! Recebi feedback verdadeiro e pude visualizar quais eram os pontos de melhoras em meu discurso.

SE A VIDA TE DER LIMÕES, ESPREMA NOS OLHOS DA INIMIGA

UAHSUHASHHSAU, brincadeira galera, #paz sempre. Maaaaaaaaas, estou aprendendo a usar as minhas experiências para ampliar o debate e trazer mudanças.

“Sendo a linguagem um mecanismo de manutenção do poder, precisamos priorizar o discurso e abrir espaços de fala para os grupos marginalizados.”

Pessu, todas as pessoas possuem lugares de fala, ou seja, uma localização social. A questão é: indivíduos pertencentes ao grupo social privilegiado em termos de locus social precisam enxergar as hierarquias produzidas a partir desse lugar, e como esse lugar impacta diretamente a constituição dos lugares dos subalternizados.

“O compartilhamento da minha experiência é um chamado à reflexão: pensar lugar de fala é romper com o silêncio instituído para quem foi subalternizado, um movimento no sentido de romper com as hierarquias violentas.”

Meu falar não se restringe apenas ao ato de escrever, mas a poder existir. Sei que existe um olhar colonizador sobre o meu corpo, saber e produção, por isso MILITO e ME AFIRMO como sujeito político que luta com uma narrativa contra-hegemônica! 👊🏾

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Referências:

Livro Lugar de Fala — Djamila Ribeiro

#ForbesUnder 30 | Jovem Embaixadora da ONU | Ecofeminista Antirracista

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